Poderá também gostar de:

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Monumentos de Camarate - Capela de Nossa Senhora da Vitória



Monumentos de Camarate

Capela de Nossa Senhora da Vitória

- Localização:
Rua da Casa de Repouso dos Motoristas

- Enquadramento:
Urbano. Insere-se na Quinta de Nª Sª da Vitória, erguida junto à estrada, tendo adossado, do lado direito, outra construção e, do lado esquerdo, um muro alto.

 - Descrição:
Planta longitudinal simples com cobertura de telha a 1 e 2 águas. Frontespício com embasamento e parastáticas que o subdividem em 3 corpos; o central é mais alto e termina em empena ladeado por 2 fogaréus. Portal de verga sensivelmente curva, emoldurada, e cornija curva pouco saliente, liga-se a janela de avental com o mesmo tipo de cornija e sobrepujada por frontão triangular ondulado; entre o portal e janela. Lápide datada *1. Nos corpos laterais, janela inferior de avental, com verga curva e tipo guilhotina. Nave com lambril de azulejos de cercadura polícroma e recortada, com cenas bíblicas identificadas por filacteras e superiormente com legendas em castelos. Coro-alto pintado. Capela-mor com lambril de azulejos, pequeno altar trono enquadrado por friso dourado e nos ângulos 2 imagens sobre mísulas.

 - Época Construção:
Séc. XVIII

- Cronologia:
1769 - construção da capela, inserida na Quinta da Ribeirinha, constituída por 3 propriedades contíguas;
1885 - Manuel de Jesus Serrano vendeu a quinta por 2 contos de reis ao Conselheiro José Paulino de Sá Carneiro Junior;
1952 - com a morte de seu filho, Coronel Sá Carneiro, a propriedade passa ao abandono;
1957 - adquirida por 440 contos pela Associação dos Motoristas Portugueses, tendo sido então restaurada e passando o orago da capela a denominar a quinta.

 
- Tipologia:
Arquitectura religiosa, barroca. Capela barroca de palácio rural, com linhas exteriores sóbrias e decoração interior rococó.

- Características Particulares:
Contraste entre a simplicidade exterior e a riqueza decorativa interior, com um lambril de azulejos recortado, do rococó inicial, e com um programa iconográfico complexo. É um conjunto de boa qualidade, com desenho convencional, acusando um bom trabalho de artífice.



- Dados Técnicos:
Paredes autoportantes.

- Materiais:
Alvenaria rebocada e cantaria. Calcário, azulejos; cobertura de telha.
- Intervenção Realizada:
1979 - Obras de conservação e reparação;
1982 - Obras de conservação.

- Bibliografia:
SIMÕES, J. M. dos Santos, Azulejaria em Portugal no séc. XVIII, Lisboa, 1979;
STOOP, Anne de, Quintas e Palácios nos Arredores de Lisboa, Barcelos, 1986;
AAVV, Património Cultural Construído. Concelho de Loures, Loures, 1988.
 

- Observações:
* Na lápide reza: "Nomina meo ascribatur / Victória / Deo autem gratias / Qui dedit nobis victoriam / anno MDCCLXIX".
Tradução: "A Victória foi atribuída ao meu nome mas é a Deus que rendo graças, por no-la ter concedido, 1769". Exaltam a omnipotência de Deus através de mulheres: Lia é "exaltada", Judite "foi guardada da sua empresa", o pedido de Ester é "atendido de antemão", a Bem amada do Cântico de Salomão é exaltada como a mais bela, etc.


fonte: www.monumentos.pt
Autor: Paula Noé, 1991

sábado, 23 de janeiro de 2010

Desalojados de Camarate... foi há 24 anos

Em Janeiro de 1993, uma ordem de desocupação põe 650 pessoas na rua. A ordem do Tribunal Judicial de Loures cumpre-se sem incidentes, com uma forte presença da GNR. As pessoas retiram os seus haveres dos dois edifícios onde estavam a morar. Sem outra casa para onde irem, os então desalojados ficam ali mesmo, na rua. Vivem ao relento durante vários dias, até que são abrigados provisoriamente numa fábrica desactivada, em Sacavém, e num armazém, em São João da Talha, alugado pela Câmara de Loures.

Nos anos 70, o Instituto de Apoio ao Retorno de Nacionais (IARN) tinha alugado dois edifícios em Camarate, para albergar provisoriamente portugueses vindos das ex-colónias, a maioria de Moçambique. Mas, após a extinção do IARN em 1981, os edifícios conhecidos como Lar Panorâmico de Camarate continuaram cheios de gente.

Alguns dos que inicialmente ali tinham sido alojados nunca abandonaram o local, outros vieram já nos anos 80 ocupar quartos que entretanto tinham ficado vagos.

O proprietário quis reaver o imóvel. Em 1991, pôs uma acção no tribunal de Loures em nome de uma Fundação – a Fundação Santa Maria da Silva - e ganhou.

Na altura, a SIC acompanhou a história e o drama humano dos desalojados do Lar Panorâmico, desde o dia do despejo.

O processo foi longo e difícil, com inúmeros episódios de tensão social e luta política, entre o então governo de Cavaco Silva e a Câmara liderada por Demétrio Alves. Em vários momentos, os desalojados foram hostilizados por populações de bairros onde os quiseram realojar. O País testemunhou o racismo mal disfarçado, mas também a generosidade e a solidariedade que se gerou em torno de quem tinha perdido pela segunda vez a anterior forma de vida.

Cidadãos anónimos mostraram-se chocados e deram apoio. A Camarate chegaram alimentos, cobertores e a ajuda da Cruz Vermelha. A escola C+S de Camarate albergou 50 crianças, os bombeiros ofereceram duches, os donos dos cafés permitiram o uso das casas de banho a quem dormia na rua...

Quisemos saber o que aconteceu a essas pessoas, adultos e crianças, que protagonizaram a história do maior despejo alguma vez feito em Portugal.

Quisemos ouvir as memórias que os então desalojados guardam dos dias e das noites que passaram ao relento, e testemunhar o que mudou na vida dessas pessoas.

Sabíamos que em 1994 tinham sido realojadas na Quinta das Sapateiras, em Loures, em apartamentos de renda social, e treze anos depois fomos à procura de alguns dos rostos que apareceram nas reportagens que fizemos na altura.





Fonte: http://sic.sapo.pt/
Jornalista: Carla Castelo
video da reportagem em: http://www.anmp.pt/

video da inauguração da esquadra de Camarate

domingo, 8 de novembro de 2009